POR DENTRO DO DELTA Nº4 - Ed. Extra - ORDEM DA CRUZ VERMELHA DE CONSTANTINO

A Ordem da Cruz Vermelha de Constantino pertence à classe dita “do Oriente e do Ocidente” dos ritos maçônicos e compreende três graus:
o de Cavaleiro, o de Sacerdote e o de Príncipe Soberano na progressão iniciática.
As Potências Maçônicas Brasileiras (Grandes Lojas, Grandes Orientes Estaduais, Grande Oriente do Brasil), bem assim outras Potências Maçônicas Mundiais adotam em suas Lojas jurisdicionadas diversos ritos. Aqui na nossa Grande Loja sabemos que são adotados apenas 3 Ritos, majoritariamente o REAA.´. (Rito Escocês Antigo e Aceito), o Rito de Emulação e o Rito de Schröder). Há muitos outros mais. Vale a pena conhecer a beleza de cada um, mesmo os não praticados, lembrando que falo aqui, muito superficialmente, do RITO destacado no título, ainda assim à guisa para que não confundamos as práticas de qualquer deles com o Rito por nós praticados.
O 1º grau da Ordem, o de Cavaleiro Companheiro, conduz do paganismo ao cristianismo, utilizando a lenda da conversão de Constantino, o Grande, como símbolo desta transição. O candidato apresenta-se como um “Cavaleiro de Roma” que deseja abraçar a fé cristã e deve ser um Maçom do Arco Real, de acordo com as antigas tradições da Ordem, que afirmam que “A Antiga e Cavaleira Ordem de Constantino, tendo gozado durante muito tempo do patrocínio e proteção de alguns dos mais eminentes membros da Fraternidade Maçônica, foi decidido que apenas os Maçons do Arco Real eram elegíveis como candidatos à admissão a um Conclave sob a jurisdição de um Grande Conclave Imperial”. Tanto quanto se sabe, nunca existiu uma Ordem dos Cavaleiros de Roma, reservada aos maçons e associada aos Cavaleiros da Cruz Vermelha de Constantino como grau preliminar, e é provável que o título de “Cavaleiro de Roma” ostentado pelo candidato indique apenas que ele representa simbolicamente um membro da Ordem Equestre Romana, que aceita a doutrina cristã da Trindade. O 2º grau, o do Venerável Eusébio, é um dos da classe “sacerdotal”. Um Cavaleiro que tenha atingido este estatuto é elegível para o cargo de Eminente Vice-Rei de um Conclave, desde que satisfaça o requisito estatutário de ser também membro das Ordens Agregadas do Santo Sepulcro e de São João Evangelista e seja devidamente eleito para esse cargo. Os cargos de Eusébio e de Vice-Rei são distintos e, quando um Vice-Rei deixa de exercer o cargo, o seu estatuto de Eusébio não é afetado. O 3º grau é reservado aos Muito Poderosos Soberanos que representam Constantino, Príncipe Soberano do Oriente e do Ocidente. Os Estatutos Gerais estipulam que um Soberano deve ter exercido o cargo de Vice-Rei durante um ano num Conclave regular. Este grau completa e coroa a Ordem da Cruz Vermelha de Constantino. As Ordens Agregadas do Santo Sepulcro e de São João Evangelista foram “anexadas” à da Cruz Vermelha numa fase inicial e são atribuídos Certificados diferentes aos membros destas Ordens. A Ordem “Maçônica” da Cruz Vermelha de Constantino foi originalmente estabelecida no Reino Unido por Charles Shirreff na década de 1780. Em 1804 foi reorganizada por Waller Rodwell Wright, um dos signatários do Ato de União de 1813, em nome da Grande Loja dos Modernos. Durante os cinquenta anos seguintes, a Ordem teria estado pouco ativa, mas o Grande Conclave Imperial “reconvocado” em 1865 elegeu William Henry White, antigo Grande Secretário (1810-1857) da Grande Loja Unida de Inglaterra, como Grande Soberano que foi devidamente instalado no Trono. Desde 1865, a atividade tem sido regular e contínua e os Grandes Conclaves Imperiais têm sido constituídos pela Inglaterra no mundo de língua inglesa. O título original de “Ordem Imperial, Eclesiástica e Militar da Cruz Vermelha de Roma e Constantino” indica claramente a sua estrutura ritual em três graus: “Príncipe, Sacerdote e Cavaleiro”. Coins Flavius Valerius Aurelius Claudius Constantinus, ou Constantino, o Grande [280 – 337] era filho de Flavius Valerius Constatants (Morus, ou Constantius I Chlorus (= pálido) [? – 306] e de Flavia Julia Helena, a chamada princesa britânica Helena, que na realidade nasceu na Bitínia (Ásia Menor, hoje Anatólia, na Turquia), no seio de uma família muito humilde. Constantino nasceu em Nish, na Sérvia, e não em York, como diz a lenda, onde o seu pai nasceu e morreu. Tornou-se governador da Gália e da Bretanha depois do seu pai, que lhe deu o nome de “César” no seu leito de morte, e foi proclamado “Augusto” pelas legiões romanas em Eburacum (Iorque) no Verão de 306. Depois de derrotar Maxêncio na Batalha de Saxa Rubra, na Ponte Milviana, perto de Roma, em 312, consolidou a sua posição e foi aceite pelo Senado como imperador legítimo. Em 323, derrotou Licínio em Andrinopla, perto de Bizâncio (depois Constantinopla, atual Istambul), e assumiu o controle do Império Oriental, tornando-se Imperador do Oriente e do Ocidente. Em 330, transferiu a capital do império de Roma para Bizâncio, que mandou reconstruir magnificamente e a que deu, como dito, o nome de Constantinopla. Constantino foi o primeiro imperador romano a encorajar abertamente o Cristianismo, mas têm sido apresentados argumentos contraditórios quanto à data da sua conversão efetiva, tal como é contada na lenda da fundação da Ordem da Cruz Vermelha. Seja como for, convocou e presidiu ao primeiro Concílio de Niceia, em 325. Dois bispos, contemporâneos de Constantino, tinham o nome de Eusébio, e não se sabe ao certo qual deles é tradicionalmente associado à fundação da Ordem: Eusébio de Nicomédia (falecido por volta de 342) foi um dos promotores da heresia ariana, pelo que foi exilado. No entanto, voltou a ser benquisto e, segundo a tradição, foi ele quem batizou o imperador. Eusébio “Pamphilus” (cerca de 270-339), bispo de Cesareia em 313, foi o “Pai” da história eclesiástica. Desempenhou um papel importante no Concílio de Nicéia, convocado por Constantino em 325, durante o qual a heresia ariana foi condenada e o Credo ou Símbolo de Nicéia foi promulgado. O seu assentimento ao texto do Credo foi forçado, uma vez que também ele simpatizava com as doutrinas do arianismo, o que o levou a ser desonrado durante vários anos. Tal como o outro Eusébio, reconciliou-se com Constantino, que terá partilhado com ele a sua visão da Cruz e lhe terá mostrado o Labarum.
(in https://www.freemason.pt/a-ordem-da-cruz-vermelha-de-constantino/ traduzido pelo Mestre Maçom António Jorge a partir da fonte https://www.crcfrance.org/)
Eymard OSANAM de Oliveira, M.´.I.´., Chanceler, 20240326
(nota: a Cruz de Constantino possui as inscrições em monogramas X e P, que não são as letras conhecidas do nosso abecedário, mas as letras gregas “Chi” e “Rho” que o Imperador adicionou ao seu estandarte (labarum, lábaro), e representam sua fé em CRISTO (em grego: ChiRho, “ΧΡΙΣΤΟΣ”, ou “Χριστός”. E não foi em outro lugar, mas ali Grécia que Jesus foi denominado Cristo e seus seguidores pela primeira vez chamados de cristãos; In hoc signo vinces, foi visto em sonho por Constantino e a desenhou no seu estandarte antes da luta, que venceu contra Marxêncio; convertido de que forças do alto lhe garantiu a vitória militar, acrescentou o Santo Nome, como se vê acima).